Dia das Mulheres

  A muitos anos escrevo algo dando parabéns para todas as mulheres por esse dia. Mas comecei a perceber que enquanto eu fui ficando mais velho, foi ficando mais difícil escrever ele. Eu fui percebendo o quanto as relações de gênero estão desgastadas, e como cada vez mais eu fiquei um tanto quanto cético com relação ao o que a mulher como essência pode trazer para a minha vida.
Mas, eu sei, que isso é, em parte, culpar o todo pelos erros de indivíduos. A minha relação foi complicada com a ‘Fernanda’, a ‘Maria’ ou a ‘Clara’. E antes que tomem conclusões precipitadas: essas mulheres não são necessariamente as ex-namoradas e etcs. Aí a relação é complicada, mas são outros 500 (ou 600?).
E através delas não posso culpar todas as mulheres, pois existem muitas mulheres que merecem muito serem louvadas e lembradas nesse dia. Mas elas merecem também serem louvadas e lembradas em todos os dias. Assim como existem homens que merecem o mesmo.
Não me entendam mal, eu não quero um dia dos homens, acho importante um dia para repensar a contribuição que as mulheres tem, tiveram e terão para a nossa sociedade. Acho importante e gosto de dar parabéns para as mulheres nesse dia. É um parabéns com ares de ‘muito obrigado por existir’; muito obrigado por ser diferente de mim, por me mostrar uma visão de mundo que não tenho.
Não tenho essa visão, porque não posso gestar filhos, porque tenho um pênis e não uma vagina (aliás acho que deveríamos fazer um abaixo assinado para mudar o nome da vagina, como algo tão bom pode ter um nome tão estranho?). Porque não menstruo e não consigo ter a relação com o mundo que uma mulher tem.
Muito obrigado por me fazer ver o mundo com outros olhos, me ensinar o que é empatia. O que eu sinto falta na nossa relação de gênero, é que eu sou ‘obrigado’ a reconhecer todas as coisas boas de uma mulher; mas praticamente nunca ouvi uma mulher agradecer a um homem por ser homem. E agradeço a mulher por ser mulher, mas não agradeço meu avô, meu padrasto, meus melhores amigos por serem homens, por serem humanos.
E acho que é isso que eu quero agradecer, quero; sim agradecer às mulheres, as importantes e as não importantes da minha vida por existirem e serem mulheres. Mas também quero agradecer elas por serem humanas, por me proporcionarem todas as possibilidades que um ser humano pode proporcionar a outro ser humano; inclusive as que só as mulheres podem me proporcionar. Mas também quero desagradecer a todas aquelas mulheres que pioraram situações da minha vida; sendo com maneiras que só mulheres podem fazer; quanto com maneiras que todo ser humano possui.

E agora sim: Parabéns pelo dia das Mulheres!

Sobre a ‘Nerdidão’

Ta rolando um leve rebuliço por causa do dia do orgulho nerd… O que no final está me deixando um tanto incomodado.

Estão saindo listas do que você ‘precisa’ para ser Nerd, e se você não é nerd está fora! Nerd é o novo cool..!

E no fim isso não tem nada a ver com o ‘ser nerd’ ser Nerd é gostar de coisas que ‘ninguém gosta’, ou de maneiras que ‘ninguém gosta’ e criar uma sub cultura com linguagem própria ao redor disso. E esse ninguém gosta sempre foi muito definido como ‘as outras pessoas de gosto normal’. Comprar gadgets da apple e ficar esperando o lançamento de um novo eletrônico nunca foi definidor de ser nerd… (isso é algo que alguns nerds faziam, nunca todos; e tão pouco foi/é definidor da ‘cultura nerd’).

Mas o que acontece agora? 30 anos depois do inicio da massificação do computador pessoal; pilotada por pessoas que tinham problemas com o sexo oposto (principalmente homens jovens que também possuíam problemas com higiene pessoal). Parte da cultura nerd/geek foi muito mais revolucionária para a maneira que vivemos do que o sexo livre dos ‘sujinhos legais’. Bill Gates e Steve Jobs são referências mais importantes que “Age of Aquarius”

Junta-se a isso o fato de que nos últimos anos, a indústria do entretenimento entendeu que havia um poço de histórias pelas quais um grupo razoavelmente grande de pessoas era/é apaixonada que mereciam atenção especial pela mídia de massa.

Exemplos de Nerds

Há mais Nerds entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...

E o Big Bang Theory. Que trouxe para o ‘spotlight’ justamente a essência da cultura nerd, mesmo que de maneira muito branda (não se enganem, gosto muito de Big Band Theory). Citar o Sheldon virou ‘cool’; mesmo que você não saiba o que é fanfic, ComicCon, quem é Stan Lee e que personagens ele criou; que o red hat é muito comercial para o seu gosto, citar pi até a décima casa, não entenda piadas sobre integrais, RPG seja um tipo de exercício, jogar cartas signifique poker, jogo de tabuleiro seja war, Brutus o nome do inimigo do Popeye, a segunda guerra seja somente um evento triste na história, consiga tocar a nona de beethoven na janela do quarto, citar de cabeça os dez melhores guitarristas europeus da história, brigar porque a versão estendida do seu filme favorito só saiu em blu-ray na França (e você quer ter ela, não fazer o download)…

E daí vem alguém me dizer que porque gosta do ‘angry birds’, é fanático por gadgets da moda (tipo iPhone, iPad e variáveis); é Nerd. Todo mundo quer um iPhone. Nerds também querem iPhones, smartphones, tablets. O fato de alguém querer; não viver sem, não faz desse alguém um nerd. Redes sociais não são lugares de Nerds, são lugares de pessoas (e possuem muitas mulheres para serem lugares de proliferação da cultura Nerds). Não que mulheres não façam parte dela, mas a cultura Nerd, é justamente um dos bastiões da ‘masculinidade’ no sentido de ser predominantemente entendida e exercida por homens (perguntem as namoradas dos meus amigos sobre como elas se sentem quando estamos conversando sobre as nossas coisas, além de ‘she-nerds’ verdadieras serem muito raras).

E ela é muito mais difícil de entender/explicar do que parece. Mas uma coisa é certa, dentro da cultura Nerd como um ‘todo’; não existe algo que deixe ‘out’. Não ter iPhone não te faz menos nerd… Mas agora gostar de Star Trek e não de Star Wars é um pecado mortal; que exigirá uma furiosa discussão em fóruns, convenções e provocações até a morte…

Corinthians, Libertadores e ‘povo brasiliero’

Ontem rolou um ‘rebuliço’ na internet (mais especificamente twitter) por causa de uma brincadeira de 1o. de abril. O Globo Esporte paulista brincou com os grandes do estado e deu parabéns ao Conrinthians pelo aniversário do seu campeonato da libertadores. O Corinthians que nunca foi campeão da libertadores, a alguns anos tenta chegar lá, mas sem muita sorte. E os corinthianos se condoeram com isso, pediram desculpas formais do programa e partiram para o que seria uma ‘agressão pesada’ ao seu ver, parabenizando o casamento do Thiago Leifert com um jogador de basquete.

Isso preocupa. Preocupa porque o Conrinthians é a maior torcida paulista, e talvez do Brasil. E uma reação dessa, é uma reação preocupante por denunciar a falta de uma capacidade dentro dessa comunidade formada por milhões de pessoas vindas de todos os espectros da sociedade brasileira (apesar das brincadeiras inter torcidas sugerirem o contrário). A reação de uma parcela razoável dos Corinthanos é um exemplo de como pensa boa parte dos brasileiros: tirem sarro dos outros, não de mim; sou perfeito e ignoro, xingo e escarro quem disser o contrário – mesmo que seja uma verdade fatual.

Porque preocupa? Porque essa mentalidade não assume o contraditório, não assume a mudança ou a disputa legítima entre ideias e interesses… É uma mentalidade de raiz essencialmente totalitarista. É a mentalidade que grande parte da ‘elite intelectual’ não conseguia entender o teor da relação do público com o Lula por exemplo. Para uma porcentagem das pessoas, ele estava mentindo ao discursar sobre várias questões – mensalão por exemplo – e uma considerável parcela da população não via ou conseguia entender isso.

Como o presidente mentiria? Como o Corinthians pode ser algo que não é e mesmo assim continuar existindo como ‘gloriosa nação’? A aceitação de que de paradoxos é essencial a vida, e ainda mais, essencial para a democracia. O extermínio do descenso não faz bem a ninguém; ainda mais porque ele normalmente é burro, no exemplo do Corinthians a raiva recaiu, em grande parte, sobre Thiago Leifert: o apresentador.

Que assim como Lula foi/é é parte do processo, e não englobador do processo como um todo. Quanto mais a nossa sociedade brasileira ‘cresce’ mais latente fica a sua incapacidade de lidar com a complexidade real do mundo. Menos preparado é um brasileiro pra perceber que não existe, de fato, um único controlador do seu destino; mas sim muitas instâncias. Talvez por isso as igrejas do ‘Deus fácil’ abundem por aqui, ou o populismo barato ainda seja tão fértil. Talvez inclusive, por isso o futebol brasileiro tenha estádios tão vazios e torcidas tão violentas.

Porque somos incapazes, como sociedade, de intender que suporte ao esporte está além da ‘guerra de gangues’ e da exterminação do rival. O rival é parte essencial do espetáculo e do que gostamos de ver. Sem a oposição, o óbvio prevalece e no longo prazo as coisas degringolam. E Sócrates já dizia isso para Péricles, mas isso é para outro dia e outras ‘conversas’.

Sobre o amor

É a mesma história de sempre, de músicas, filmes livros e vidas. Pessoa encontra pessoa e ambas começam a se gostar, sair mais e de repente estão se amando. Se amando de falar ‘io ti amo’ juntinho no ouvido um do outro. Se amam de ligar pra ouvir a voz do outro; e por motivos tão inexplicáveis como o motivo pelo qual começaram a sentir uma falta incomensurável um do outro se magoam, se separam e se machucam.

Por uma série de motivos, razões e etcs; que me parecem na maioria das vezes ligadas a uma só característica: responsabilidade. Quando amamos, e fazemos loucuras por amor, agimos na maioria das vezes por um impulso egoísta, que tem a ver com as nossas necessidades e carências. O amor que na maioria das vezes vejo materializado me parece ver de uma relação que encara o outro como um passivo que, na maioria das vezes, existe para cumprir uma função dentro da nossa vida.

E essa hora que uma fala do Luiz Felipe Pondé ressoa na minha cabeça “A pessoa que você ama tem o poder de, com uma só palavra, arruinar ou maravilhar o seu dia”. Eu conheço poucas coisas que conseguem atingir tal força e com tamanha constância. Pois podemos ver um filme, ler um livro… que mudem várias percepções e estados emocionais nossos; mas uma eventual re-exposição a isso não possui a mesma força que uma pessoa amada pode proporcionar em você, com um simples gesto, repetidas vezes.

E nós vamos andando, nos comportando e exigindo dos outros que atendam aos nossos anseios, que cumpram um papel estabelecido de acordo com o que você quer; quando deveríamos nos debruçar um pouco por sobre esse poder que temos. Poder do qual advém responsabilidade, para com a pessoa que amamos, se conseguimos somente com uma palavra, com um gesto, modificar radicalmente o dia de uma pessoa pela qual temos sentimentos profundos, como podemos nós nos comportar como se essa pessoa deveria só nos satisfazer? Estar ali só para atingir as nossas marcas e padrões pré estabelecidos. Quando na verdade não vemos/percebemos que de fato temos, sim uma imensa responsabilidade que vem do fato de meramente existirmos.

Quando temos a capacidade de com um olhar, com uma entrada no ambiente, mudar completamente a maneira que uma outra pessoa interage e reage com o mundo; deveríamos tomar muito cuidado com o que fazemos e como o fazemos. O problema, de novo, é que nunca nos vemos como protagonistas disso; como os atores do que acontece, sempre nos enxergamos como o passivo. Como quem sofre os efeitos ao entrar na sala e vermos a pessoa amada e mudamos, nós mesmos, de atitude. E acabamos por esquecer desse outro lado, importantíssimo da moeda; de que possuímos nós mesmos a capacidade de fazer o mesmo.

Possuímos a capacidade e qualidade de melhorar ou piorar ‘instantaneamente’ a reação dessa outra pessoa, e isso é um dom nos concedido por ela, assim como os candidatos a presidente tentam nos convencer de que o fato de poderem ser eleitos é um dom concedido por nós, e por isso têm responsabilidade conosco. Esquecemos dessa carga, desse poder e fardo que carregamos ao cedermos nosso coração para montarmos um suporte que dependa dos dois. Citando uma música sarrista e muito divertida : “Eu até cortaria meu pênis por você¹”. Tomemos cuidado com o que fazemos e pedimos para aqueles que amamos, pois eles podem fazer isso apesar da preservação própria, sem pensar que isso pode ser prejudicial para si mesmos, todos os outros e inclusive a relação de vocês…

¹”I’ll even cut my penis down for you” She has a girlfreind now do Reel Big Fish

Humanismos

O ser humano como coletividade é um bicho beem complicado. Complicado, digo eu, pois na verdade ele é quase burro. Quase. Porque quase? Porque nós sabemos, entendemos a noção de longo prazo, mas a nossa inefável e infalível mortalidade nos arrasta para uma situação onde acabamos fazendo besteiras, das piores possíveis.

Vejamos exemplos: A alguns anos atrás, existiam previsões de que entre 2011 e 2013 o e-mail seria uma ferramente inutilizável. O ser humano na sua fúria cega havia criado uma grande ferramenta só para depois inundá-la de spam sobre viagra, pornografia e primeiros ministros da Etiópia. Seria o primeiro recurso nosso a ser esgotado da face da terra. Só que conseguimos reagir e criar uma tática de anti-spam eficiente após isso. Veja bem; anti-spam. Não é que pararam de fazer a prática que levaria à extinção do e-mail; ela ainda existe, mas criamos táticas para barrá-lo e impedir que ele acabasse com a nossa auto destruição programada.

A copa do mundo acabou de acabar, com um jogo dos mais medíocres, e o Brasil jogou um futebol igualmente chato. A desculpa para o futebol apresentado sempre foi: esse é um futebol ganhador. O futebol que vimos na final também seria um ‘futebol ganhador’. E também um futebol matador. Pois se eu tivesse cerca de doze anos de idade, e tivesse acompanhado essa copa com o afinco de um moleque de doze anos de idade, é provável que essa final tivesse matado o meu afinco de ver outras copas.

Assim como uma porcentagem razoável das pessoas que conheço que pararam para ver a final. Assim como os 700 milhões (!) de pessoas que viram a final, provavelmente pensarão duas vezes antes de pararem de frente aos seus televisores para ver a próxima final.

A verdade é que o nosso grande problema está em conseguir fazer julgamentos com relação a decisões/prazeres a curto prazo e benefícios a longo prazo, especialmente quando eles estão relacionados à coletividade. Lembra aquela batida de carro besta?A que você poderia ter evitado se não estivesse mandando mensagem no celular, ou terminando de ler o artigo na revista? E o leve congestionamento que ela causou? Quem garante que atrás de você não estava uma ambulância que levava uma paciente crítico, e que ela demorou justamente o um minuto a mais que fez com que o paciente não fosse salvo? Afora a conta do mecânico, a sua e do cara em que você bateu.

A verdade é que não temos como saber disso, e que o fato de ser um completo desconhecido, e somente uma mera possibilidade, nos faz tirar essas idéias da nossa cabeça. Só espero que ninguém resolva fazer uma lei baseada em acidentes de transito e ambulâncias, o que, infelizmente, me parece mais provável do que a perspectiva de que nós conseguiremos pensar nas em mudar as possibilidades antes de esgotá-las.

Nascimento

Hélio acordou cansado. Pensando no que iria fazer, a Ferrari já perdeu o campeonato, seus domingos estão vazios de sentido, hoje é o último dia. Ele ainda ia conseguir afastar algumas horas de surfe acerebral pela TV de Domingo vendo a final da copa. Sem o Brasil. Isso ele não perdoava. Como os idiotas podiam matar tanta festa? Tanta alegria em meio à população, somente por uma questão de ego.

Ego, Hélio conhecia bem essa palavra. Ele tinha apostado o emprego, apostado que o Brasil ia ganhar a copa. Esse era o seu último fim de semana empregado. Esse sábado, com a decisão de terceiro e quarto entre Alemanha e Uruguai, fora a penúltima chance de ele olhar para a sua nova TV de Led, com a assinatura de TV HD.

Não importava quantas vezes ele desse uma sova na Holanda no vídeo game, ele continuava bravo, não, bravo exprimia pouco o que ele sentia. Hélio estava puto. Nem ele queria admitir que a compra de um milhão de camisetas com os escritos ‘Brasil Hexacampeão’; feitas para uma promoção pós-copa tinha sido uma cagada. Mas ali em frente à TV LED, ele conseguia. Nem que fosse para gritar no travesseiro, pois a Drywall do seu Flat era fina e os vizinhos podiam ouvir.

Hélio tinha que ver o jogo e empacotar tudo, ia vender mesmo. Uma cama sozinha, para uma pessoa sozinha e abandonada pelo seu maior amor; a seleção. Apesar da derrota, Hélio ainda estava ganhando no bolão do escritório. Acertara tudo; menos que o Brasil não seria campeão. “Dunga filho duma puta! – Desconcertado do Caralho! –Pois tudo a perder poque é xucro e nervosinho! –E eu apostando a minha vida num puto que nem fala português direito!”

A raiva só aumentava. Hélio viu o jogo, Alemanha tetracampeã. Culpa do Dunga! Agora são a Alemanha e Itália no nosso encalço. Hélio ligou seu laptop branco, daqueles sem leitor de DVD, ultra fino; ultra caro. Deu uma olhada no site de notícias, viu uma matéria sobre o futuro comando da seleção, leu outra sobre o que os jogadores foram fazer após a eliminação. “Vão continuar a serem ricos, esse filhos da puta” essa ultima parte foi pensada junto com uma mordida nos lábios de sair sangue.

Hélio estava p-u-t-o. Possesso. Mas ainda tinha mais uns dias de cartão de crédito, de cheque especial, e mais precisamente de crédito no banco. E Hélio tinha acabado de desistir de amar a seleção. De ser patriota. Viu uma foto de Ricardo Teixeira na época da apresentação de Dunga pra seleção os dois riam. Os dois ganharam dinheiro com isso. Para Ricardo o que importava não era essa a copa. Mas a próxima. Se descadastrou da comunidade “Copa nos EUA e não no Brasil” ‘por menos roubalheira’ dizia a descrição. Deletou o seu perfil e com ele as frases de repúdio a gastança de dinheiro que, dizia ele, iria direto para o bolso dos políticos.

Ele tinha algumas horas para comprar todos os terrenos que conseguisse em Pirituba, depois ia arranjar algum jeito de chantagear um político e tudo ia dar certo. Mesmo que a seleção perdesse agora, tudo ia dar certo pra ele, sempre.

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